Doenças


Carrapatose

Carrapatose é uma das parasitoses mais importantes que afetam os rebanhos brasileiros é a carrapatose, que causa enormes prejuízos ao produtor e grande desconforto para os animais, prejudicando o seu desenvolvimento e produção.

Em geral, cada carrapato tem afinidade com o hospedeiro que parasita, por exemplo, a espécie Rhipicephalus (Boophilus) microplus é parasita dos bovinos, o Rhipicephalus sanguineus tem predileção pelos canídeos e o Amblyomma cajennense parasita os equídeos. Entretanto, o A. cajannense não é tão específico como o Boophilus sp. e o Rhipicephalus sp., podendo parasitar muitos hospedeiros, incluindo os bovinos e o homem. 

Carrapato do bovino

O que é

No Brasil, a espécie Rhipicephalus microplus, ocorre em praticamente todas as regiões, devido às condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento. Esses ácaros causam muitos prejuízos aos seus hospedeiros, por ação direta espoliadora de ingestão de sangue ou por lesões na pele dos animais, nos locais de sua fixação. Neste último caso, facilita a instalação de miíases (bicheiras) e podem servir de porta de entrada para bactérias que infeccionam o local, e conseqüentemente ocorre a desvalorização do couro pelas imperfeições que apresenta. Causa perda de apetite em função da irritação, anemia e transmite doenças como a Tristeza Parasitária.

São também responsáveis por elevados custos indiretos com produtos carrapaticidas, mão-de-obra e equipamentos necessários para o seu controle e, além disso, estes produtos tóxicos podem causar sérios danos aos animais, ao homem e ao meio ambiente. As estratégias de ação fundamentam-se no conhecimento da biologia do parasito (ciclo de vida), sua relação com o meio ambiente e os hospedeiros e os instrumentos disponíveis para o controle (carrapaticidas, manejo, etc.).

No Brasil, as perdas econômicas causadas pelo carrapato Rhipicephalus microplus no ano de 1983 estavam na ordem de 1 bilhão de dólares. Atualmente, estima-se que, com o aumento do rebanho bovino, este prejuízo tenha dobrado de valor. 

Como reconhecer

O diagnóstico da doença se faz pela constatação da presença dos carrapatos. Os animais parasitados tornam-se inquietos e não se alimentam satisfatoriamente. Ocorre então emagrecimento, queda na produção de carne e leite, irritação da pele no local da picada e anemia em decorrência da perda de sangue. 

Como tratar

Para o tratamento podem ser utilizados produtos carrapaticidas na forma de pulverização, aspersão ou imersão (piretróides, organofosforados e amidinas), pour on (piretróides, organofosforados, avermectinas) ou injetáveis (avermectinas e milbemicinas) e derivados dos fenilpirazóis (fipronil).

Como evitar

Através da realização do controle estratégico, evitando-se o uso de tratamentos curativos realizados de forma indiscriminada, que geram o aparecimento de cepas de carrapatos resistentes às drogas. O controle estratégico deve ser empregado de acordo com os dados epidemiológicos de cada região. Não é conveniente que os carrapatos sejam totalmente eliminados numa propriedade. Deve-se manter um nível tolerável de infestação que proporcione equilíbrio entre a resistência do animal e as doenças por ele transmitidas.

Para manter o parasita em nível satisfatório é necessário estabelecer uma estratégia de controle, concentrando os banhos carrapaticidas (3 a 6 banhos/ano com intervalos de 19-21 dias entre eles) no início da estação chuvosa. No início da aplicação do controle estratégico na propriedade podem ser necessários tratamentos táticos quando a infestação por carrapatos fêmeas adultas for maior do que 10 a 20 em um dos lados do corpo do animal, dependendo de sua raça e faixa etária. Podem ser usados também produtos inibidores do crescimento (Fluazuron). A vacina associada a produtos químicos também é uma estratégia de controle.

Carrapato dos equídeos

O que é

Carrapatos são indiscutivelmente os ectoparasitos de equinos mais importantes no Brasil. Diretamente, eles espoliam o sangue, abrem porta de entrada para miíases e infecções secundárias, irritam os animais e podem causar dermatites. São também vetores dos agentes causais da Babesiose equina (Babesia equi e Babesia caballi), sendo esta doença um fator limitante para o desempenho de cavalos de esporte, além de restringir o comércio internacional desses animais. Pelo menos três espécies de carrapatos são comumente encontradas em equinos no Brasil: Anocentor nitens, Amblyomma cajennense e Rhipicephalus microplus.

Anocentor nitens

No Brasil, é encontrado parasitando cavalos e outros equídeos, estando amplamente difundido pelo país. Parasita principalmente o pavilhão auricular, embora possa ser encontrado em outros sítios de fixação como na narina, base da crina, região perineal e ao longo da linha ventral média do corpo. É responsável por muitas doenças, incluindo lesões na orelha como: quebra da mesma (cavalo troncho), miíases e babesiose equina (Babesia caballi).

O parasitismo por A. nitens determina inúmeros prejuízos para os equinos do Brasil, através dos gastos com carrapaticidas e problemas na saúde dos animais. O A. nitens é uma espécie com um único hospedeiro no seu ciclo e quase sempre adota equinos e muares como hospedeiros, mas é algumas vezes encontrado em outros animais como jumentos, bovinos, ovinos, veados e búfalos.

A duração da fase parasitária do ciclo no cavalo é de 24 a 28 dias. Em bovinos, o ciclo do parasito é mais longo que em equinos, ocorrendo o massivo desprendimento de fêmeas de 25 a 36 dias pós-infestação. São observadas 3 a 4 gerações anuais de A. nitens no Brasil, que decorrem de mudanças climáticas e também são devidas ao estado fisiológico do cavalo, dependendo de seu nível de resistência ou susceptibilidade. 

Amblyomma cajennense

O A. cajennense, o carrapato do corpo dos cavalos, conhecido no Brasil como "Carrapato Rodoleiro" ou "Carrapato Estrela" na sua fase adulta, “Vermelhinho” na fase ninfal e “Micuim” na fase larvar, tem sido considerado como uma praga de importância emergente nas áreas de produção animal, como espoliador dos rebanhos equinos e bovinos e, de saúde pública como importante transmissor da riquetsiose nos humanos (Febre Maculosa). Vários animais domésticos e ampla diversidade das espécies silvestres, mamíferos e aves, podem albergar algum estádio parasitário deste carrapato. O A. cajennense é um carrapato trioxeno, ou seja, necessita de três hospedeiros de espécies iguais ou diferentes para completar seu ciclo de vida. 

Como reconhecer 

Presença do carrapato no corpo do animal.

Como tratar

Para o tratamento podem ser utilizados produtos carrapaticidas na forma de pulverização (piretróides)

Como evitar

Baseado no estudo da dinâmica sazonal das fases parasitárias e não parasitárias, são sugeridas medidas de controle estratégico para A. nitens no Brasil, similarmente àquelas adotadas para B. microplus. Os tratamentos carrapaticidas devem ser mais intensivos na primavera e verão com pulverização de todo o corpo dos equinos, inclusive dentro da narina e da orelha, em intervalos mínimos de 24 dias, cobrindo um período de pelo menos 4 meses ininterruptos no ano. Devem ser utilizados 4 a 5 litros da calda por animal adulto e, após o tratamento, os animais devem voltar para o mesmo pasto. Em muitas propriedades é comum o uso de carrapaticidas tópicos na orelha como única medida de controle de A. nitens. No entanto, este controle tem se mostrado ineficiente, devido às populações encontradas em outras regiões do corpo do animal.

Para o controle do A. cajennense deve-se evitar a presença de pastagens sujas (mato + pastagem). Outra medida recomendada para o controle de A. cajennense é o uso de tratamentos carrapaticidas a cada sete a dez dias, durante o período larval e ninfal de todos os equinos da propriedade, num intervalo máximo de 3 dias para todo o plantel. É também fundamental que os animais sejam retornados ao pasto de origem. Isto porque se espera que cada animal vire uma “armadilha viva” durante o intervalo entre tratamentos. 

A dificuldade está no controle da população adulta, pois além de se necessitar de um produto com uma concentração 1,8 vezes superior à concentração indicada para o controle dos carrapatos dos bovinos, na época do tratamento (primavera e verão) temos grande quantidade de éguas em segundo e terceiro estágios de gestação. O uso intensivo e indiscriminado de carrapaticidas neste período pode ocasionar intoxicações e abortos absolutamente indesejáveis para estes animais.

Para controlar estes problemas em rebanhos pequenos, indica-se que, no período de primavera e verão, todas as fêmeas ingurgitadas sejam diariamente retiradas dos animais. Alguns ganhos resultarão desta ação. Em primeiro lugar, para cada fêmea repleta retirada estarão sendo retiradas do campo 5000 prováveis larvas que comporão a geração no ano seguinte. Em segundo lugar, se o controle das fases larval e ninfal forem bem feitos, reduziremos drasticamente a necessidade de banhos carrapaticidas neste período. Em terceiro lugar, a manipulação diária destes animais produzirá um comportamento dócil altamente desejável nos animais do rebanho. 

Para o controle do B. microplus nos equídeos a providência imediata que deve ser tomada em um plantel infestado é a prática de separação de pastos destinados aos equinos e aos bovinos. Deve-se ter muito cuidado nas prescrições de carrapaticidas de bases fosforadas ou misturas piretróides + fosforados. Seu uso intensivo pode resultar em quadros de intoxicações em animais e operadores. Por isso, na atualidade, recomenda-se que os programas de tratamento intensivos sejam realizados com produtos das bases piretróides puras na forma de concentrados emulsionáveis para banhos de aspersão ou imersão. 

Baseado em todos esses estudos podemos dizer que o meio mais eficiente para evitar a infestação por B. microplus em equinos é criar cavalos completamente separados de bovinos. A infestação por A. cajennense pode ser controlada usando acaricidas recomendados nas dosagens adequadas, mantendo as pastagens uniformes e em condições limpas através da roçagem, pelo menos uma vez ao ano, durante as estações chuvosas (primavera e verão), quando o crescimento da forragem é favorecido. Infestações pelo A. nitens podem ser controladas através da pulverização de todos os equinos com acaricida por todo o corpo nos intervalos corretos e nas diluições adequadas, principalmente no período da primavera e verão.

 

 

Métodos eficientes para o combate desse parasita são: Absolut, Ranger, Ranger LA, Ranger 3,5% LA,  Lancer LA, Ectofós, Flytick, Flytick Plus, Controller CTO Pour-On.

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