Doenças


Dermatofilose

É um processo infeccioso da pele que acomete bovinos, ovinos, caprinos, equídeos, cães e até o homem, causado por uma bactéria denominada Dermatophilus congolensis que se caracteriza por uma dermatite exsudativa, com erupções cutâneas crostosas e escamosas.

Também é conhecida por estreptotricose cutânea, “Mela” ou “Chorona”.A doença se manifesta quando ocorre uma redução ou alteração das barreiras naturais existentes na pele. Estas alterações estão relacionadas a fatores ambientais (chuva, umidade e altas temperaturas) que influenciam o desenvolvimento, prevalência, incidência sazonal e transmissão da dermatofilose. 

Fatores estressantes como desmama, carência alimentar ou traumatismos por manejo inadequado, associados com períodos chuvosos e quentes, podem desencadear a doença por quebrarem a integridade da pele. A forma de surtos ocorre principalmente na época chuvosa e geralmente está associada a pastagens de Brachiaria decumbens ou Brachiaria brizantha, as quais, através de suas folhas ásperas, provocam microlesões na pele dos animais.

Acomete bovinos de todas as idades, mas os mais jovens são mais propensos.

Os reservatórios são os próprios animais enfermos e a transmissão pode ocorrer por contatos direto, indireto e através de vetores mecânicos e biológicos. 

Como reconhecer

Aparecimento de lesões em qualquer parte do corpo, mais particularmente na cabeça, pescoço, dorso e laterais do animal e, também, na porção posterior do úbere. Em bezerros, as lesões geralmente começam no focinho e espalham-se pela cabeça e pescoço. A doença normalmente é descoberta pela presença de elevações abaixo do pelo. As lesões características são pequenas crostas que se formam na base do pelo e o envolvem, com presença de tecido granuloso, exsudato e material purulento. Sinais sistêmicos da infecção estão ausentes ou limitados a uma resposta febril nos casos moderados. Em estágios mais avançados, a dermatite cicatriza-se e as crostas separam-se da pele, ficando presas pelos pelos, sendo facilmente removidas na forma de crostas com tufos de pelos. Nos estágios finais, há perda intensa de pelos, com formação de casca acentuada e pregueamento. Alguns animais com lesões generalizadas aparentam estar embarrados, pois as crostas se assemelham com barro seco, sendo estes animais mais propensos a infecções e perda de peso. A reinfecção pode ocorrer principalmente em animais jovens.

Como tratar 

Os antibióticos injetáveis constituem-se no tratamento mais eficaz para controle da dermatofilose. A penicilina ou a estreptomicina são recomendadas em dois tipos de tratamento, ou em uma única aplicação em altas doses (70.000 UI/kg PV de penicilina ou 70 mg/kg PV de estreptomicina), ou em doses diárias (5.000 UI/kg PV ou 5 mg/kg PV, respectivamente) durante cinco dias. A oxitetraciclina também pode ser usada no controle de surtos da doença na dose de 20 mg/kg PV. 

As aplicações tópicas geralmente são pouco recomendadas por conta das dificuldades do produto em atingir as camadas mais profundas da pele. Alguns produtos podem ser utilizados, sendo recomendada a remoção das crostas antes da aplicação. Contudo, não se deve esperar por uma boa resposta ao tratamento tópico, principalmente se as condições do meio ambiente são adequadas para a disseminação da doença. Em termos gerais, os melhores resultados são obtidos durante o tempo quente e seco. 

Quando um grande número de animais é afetado podem ser recomendados banhos de imersão ou aspersão com sulfato de zinco ou de cobre na concentração de 0,2%-0,5%. 

Como evitar

Realizar o isolamento e tratamento imediato dos animais afetados assim que forem observadas as primeiras lesões, juntamente com a desinfecção do local e dos utensílios utilizados no manejo destes animais. Manter os animais em bom estado corporal auxilia na resistência imunológica e na prevenção das doenças.


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