Doenças


Fotossensibilização

É uma doença de bovinos, ovinos, caprinos, e equinos que ocorre devido a uma sensibilização das camadas superficiais da pele quando expostas à radiação solar intensa, devido à ação de certas drogas, plantas ou outras substâncias.

A fotossensibilização é classificada de acordo com o agente fotodinâmico em três tipos: tipo I ou primária, em que pigmentos vegetais ou medicamentos intrinsecamente fotodinâmicos são ingeridos, absorvidos e ingressam na circulação sistêmica; tipo II,  que ocorre em consequência da síntese anormal de pigmentos endógenos, geralmente de origem hereditária; e tipo III, hepatógena, ocorre pelo acúmulo de filoeritrina, produto de degradação da clorofila, em consequência de lesão hepática que impede a sua excreção. 

A fotossensibilização hepatógena é a forma mais comum em ruminantes em que o fígado é lesado por toxinas, causando distúrbio hepático e impedindo-o de fazer a desintoxicação do organismo, causada por certas substâncias fotodinâmicas que vão se acumular na circulação periférica e com a incidência da luz solar causam na pele lesões características com aspectos de "Casca de árvore". É conhecida vulgarmente pelos nomes de "Regueima" e "Sapeca". Afeta bovinos de todas as idades. Ocorre principalmente quando os animais estão em pastos de Brachiaria sp, principalmente a B. decumbens, vedados e na época das chuvas.

Como reconhecer

As partes brancas dos animais afetados começam a ficar avermelhadas, pele enrugada e formação de crostas em grandes extensões da pele. O processo evolui até a morte do tecido cutâneo que resseca e começa a "descascar". A descrição mais próxima do quadro que se vê é o de uma árvore perdendo a casca. As bicheiras, sempre oportunistas, não raro se instalam sobre a lesão. O animal apresenta inapetência, excitabilidade, prurido, lacrimejamento, edema de barbela, edema dos flancos e da prega caudal. Com a evolução da doença, ocorre o "quebramento de orelhas", poliúria, icterícia, enfraquecimento e desidratação.

As formas mais brandas da doença provocam perda de peso de alguns animais, sem motivos aparentes. 

Como tratar 

Como medicação, é indicada a utilização de protetores hepáticos, anti-histamínicos, hidratantes e vitaminas ADE. Nas lesões de pele podem ser usadas pomadas antissépticas e cicatrizantes, além de óleo de peixe. Estes tratamentos são comprovadamente eficientes na recuperação da doença, desde que a mesma seja diagnosticada de imediato. É importante a retirada dos animais da pastagem onde está ocorrendo o problema, colocando-os em um pasto com capim mais baixo e com sombreamento. 

Como evitar

O fungo P. chartarum de folhas de B. decumbens, é um fator determinante para o desenvolvimento da fotossensibilização em bovinos, em virtude da lesão causada no fígado destes animais.

No tratamento, é importante a retirada dos animais da pastagem problema e, sempre que possível, colocá-los em piquetes com sombreamento. Como medicação, é indicada a utilização de protetores hepáticos, antihistamínicos e hidratantes. A introdução da B. decumbens no Brasil Central deu grande impulso à pecuária de corte e os benefícios dela advindos são, sem dúvida, superiores aos problemas de fotossensibilização que ela favoreceu.

O conhecimento da doença por parte do pecuarista e a conscientização deste, no sentido de diversificar a formação das pastagens, tem contribuído para o seu controle.

Hoje, sabe-se que em pastagem de B. decumbens, com um manejo adequado, a doença não ocorre ou é de baixa frequência. Sabe-se, também, que bezerros não devem ser desmamados em B. decumbens, pois o estresse da desmama, mais a idade do animal e a possível existência de animais geneticamente mais suscetíveis, são fatores pré-disponentes ao aparecimento da fotossensibilização.


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