Doenças


Leucose Bovina

A Leucose Bovina é uma virose de curso crônico e prolongado, responsável por significativas perdas econômicas, principalmente no rebanho leiteiro.

A sua importância se deve, principalmente, às restrições no mercado internacional e também por perdas na produtividade dos animais infectados.

A transmissão do vírus da leucose bovina pode ocorrer de forma natural (contato entre animais doentes e sadios), via transplacentária (mãe doente passa para o feto e o bezerro nasce doente), através do sangue de animais contaminados (por agulhas, material cirúrgico) e pela ingestão de leite de vacas doentes. Dentre estes modos de transmissão, somente a transmissão através do útero e a ingestão de leite têm sido comprovadas como infectantes para os bezerros recém-nascidos. Para as outras categorias, a transmissão ocorre principalmente pelo uso de agulhas contaminadas com sangue de animais infectados. 

A forma contagiosa dessa doença é chamada de Leucose Enzoótica Bovina (LEB). A leucose bovina é também chamada de "Leucemia Bovina" ou "AIDS" bovina. 

Como reconhecer

A grande maioria dos animais infectados passa a vida toda sem apresentar quaisquer sintomas. Quando eles aparecem, geralmente acometem animais velhos, e a característica da doença é a formação de tumores que, quando presentes, não ultrapassam 5% dos animais infectados pelo vírus. Eles podem infectar vários órgãos e provocar variados sintomas, dependendo do órgão afetado. Podemos encontrar distúrbios digestivos (diarreia, empanzinamento e constipação), distúrbios respiratórios (tosse, respiração difícil), distúrbios cardíacos (insuficiência cardíaca, estase venosa e pulso venoso positivo), distúrbios nos tecidos perimedulares (paralisia dos membros posteriores) e distúrbios nos tecidos retrobulbares (exoftalmia uni ou bilateral). Em geral, os animais apresentam-se com os gânglios aumentados, emagrecimento progressivo, infertilidade, anorexia, diminuição da produção leiteira, paralisia progressiva dos membros posteriores e exoftalmia. 

Pode ser feito o exame sorológico enviando o soro de animais com mais de sete meses de idade, evitando assim a detecção de anticorpos colostrais. Vacas no período de pré ou pós-parto (30 dias antes ou 30 dias depois do parto) que apresentarem resultado negativo nos testes sorológicos devem ser re-testadas, pois ocorre declínio nos títulos de anticorpos. Este exame, porém, não indica se o animal está com a doença, apenas diz que ele teve contato com o vírus. 

Como tratar

Não existe tratamento.

Como evitar

O controle da doença é difícil: devido à sua grande disseminação, principalmente, nos rebanhos leiteiros; por evoluir lentamente apresentando grande número de animais assintomáticos; devido à inexistência de um programa de controle oficial; por não haver dados epidemiológicos suficientes.

Se o rebanho é livre da doença, deve-se evitar a introdução de animais infectados. Se houver introdução de bovinos provenientes de rebanho soronegativo, deve-se mantê-los separados do restante do rebanho por 30 dias e testá-los antes da entrada e ao final do período de isolamento. Se forem provenientes de rebanho soropositivo, deve-se mantê-los isolados por três meses e em seguida testá-los.

O veterinário não deve utilizar instrumental cirúrgico ou agulhas que foram utilizados em outro rebanho.

Em rebanhos infectados devem ser implantados dois tipos de medidas:

Medidas profiláticas, para limitar a disseminação do vírus no rebanho: esterilizar agulhas e instrumentos cirúrgicos ou utilizar agulhas descartáveis para evitar a infecção dos animais negativos; utilizar uma luva por palpação retal; instituir programa de controle de mosquitos hematófagos; não alimentar o bezerro com leite de vaca positiva. 

Controle para erradicação: eliminar os animais positivos; realizar a sorologia em todo o rebanho nos animais com mais de sete meses, com intervalo de três a seis meses; isolar e sacrificar os animais soropositivos. 

O rebanho é considerado negativo quando todos os animais forem sorologicamente negativos, em duas sorologias, com intervalo de seis meses. Esse esquema não é viável em rebanhos altamente infectados, o que representa a realidade para a maioria das fazendas leiteiras no Brasil.

Segregação de animais infectados: a criação de rebanho não infectado a partir de outro infectado tem dado certo, segregando, então, os bezerros saudáveis do resto do rebanho. Há, porém, dificuldade com relação ao manejo, pois os animais infectados devem ficar a pelo menos 150 metros de distância dos não infectados. O rebanho negativo deve ser testado a cada três meses e os bezerros após os seis meses de idade. Pode-se permitir que bezerros de vacas soro-positivas mamem o colostro, mas é necessário testá-los aos sete meses de idade (Toma et al., 1990). 


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