Doenças


Reticuloperitonite Traumática

A reticuloperitonite traumática é uma doença de bovinos causada pela perfuração do retículo ou do rúmen por objetos pontiagudos que são ingeridos pelos animais em consequência dos seus hábitos indiscriminados ou não seletivos de alimentos.

Devido a esse hábito, o bovino pode ingerir, junto com os alimentos, pedaços de arame, pregos, farpas de madeira ou qualquer outro objeto pontiagudo. Quando esse corpo estranho avança e perfura o diafragma e o saco pericárdico resulta em uma Pericardite Traumática. Poderá ocorrer morte súbita do animal devido a hemorragias severas em casos de perfuração das artérias regionais principais ou ruptura da artéria coronariana.

Como reconhecer

A doença na forma aguda manifesta-se nos animais acometidos com perda súbita e total de apetite; dor abdominal; diminuição ou parada total dos movimentos ruminais, levando a um timpanismo e constipação (fezes ressecadas); parada repentina da produção de leite; relutância em se movimentar e quando o fazem é vagarosamente; gemidos ao andar em locais de descidas; permanência em estação na maioria do tempo e quando deitam o fazem com dificuldade; arqueamento acentuado de dorso e aparência de encolhimento por conta da rigidez dos músculos abdominais; defecação e micção dolorosas, realizadas poucas vezes ao dia e com gemidos; aumentos de temperatura, do pulso e da respiração. 

No caso da pericardite traumática ocorre dificuldade de auscultação dos batimentos cardíacos pela presença de outros sons como fricção do pericárdio, ruídos gasosos ou líquidos. Ocorre ingurgitamento da jugular, com pulso venoso positivo, insuficiência cardíaca congestiva e edema (inchaço) de peito e barbela. Complicações como pleurite e peritonite difusa podem ocorrer.

No caso crônico, o animal continua com o apetite diminuído, a produção de leite não volta ao normal e a ruminação ainda está dificultada, podendo haver timpanismo moderado. 

Como tratar

Como primeiro tratamento se faz a administração de antimicrobianos de amplo espectro diariamente por 5 dias consecutivos e de um laxante como hidróxido de magnésio; diminuição do alimento fornecido ao animal e, se possível, imobilização do animal afetado por alguns dias, mantendo-o em um plano inclinado em aclive para limitar a progressão anterior do corpo estranho.

A introdução de imãs via oral para remoção dos corpos estranhos em caso de objetos metálicos é também empregada.

Geralmente o tratamento mais eficaz é a rumenotomia, ou seja, a remoção cirúrgica do corpo estranho, realizada por um veterinário.

Como evitar

Evita-se a enfermidade através de um manejo adequado dos suprimentos alimentares fornecidos aos animais, estando os mesmos livres das fontes de corpos estranhos. É preciso ter muito cuidado nas construções ou reformas de cercas para não deixar pedaços de arames, objetos pontiagudos e pregos espalhados nos locais de acesso aos animais.


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