Doenças


Garrotilho

Garrotilho, também conhecido como "adenite equina", "gurma", "coriza contagiosa" e "estreptococcia equina", é uma enfermidade infectocontagiosa aguda dos equídeos, caracterizada por inflamação mucopurulenta das vias aéreas superiores, associada a linfadenite abscedativa, particularmente dos linfonodos submandibulares e retrofaríngeos. É causada pela bactéria Streptococcus equi, que chega às vias aéreas por inalação e, ocasionalmente, por via oral.

O garrotilho acomete equídeos de todas as idades, porém a frequência é maior em animais jovens com menos de dois anos. Aproximadamente 70% dos animais afetados adquirem imunidade, embora alguns possam adoecer mais de uma vez. A imunidade é conferida pelas éguas imunes através do colostro para os potros até os 3 meses de idade.

A transmissão de S. equi ocorre por contato direto entre animais sadios e doentes e pode ocorrer também, indiretamente, por intermédio de tratadores ao lidarem com os animais nos estábulos, ou mesmo por fômites infectados. A contaminação de alimentos, cama, água, ar, utensílios de estábulos, sondas gástricas e endoscópios, além de insetos, podem participar como fontes de disseminação do agente. Outros fatores como estresse, transporte, frio excessivo, agrupamento de animais, excesso de trabalho, infecções virais e parasitismo aumentam a susceptibilidade dos animais e podem precipitar a enfermidade naqueles com infecções latentes. 

Como reconhecer

Os animais afetados apresentam súbita elevação de temperatura (40-41ºC), perda de apetite, depressão, respiração difícil e acelerada, mucosa nasal avermelhada com corrimento seroso no início e depois de 2-3 dias mucopurulento, passando a purulento e no final tornando-se grosso e amarelado. Essa descarga nasal é, geralmente, bilateral. Pode haver tosse que perdure por várias semanas. O animal apresenta dor na região da faringe e mantém a cabeça baixa e estendida, atrapalhando a sua deglutição. Conjuntivite purulenta pode também ser observada. Os gânglios (linfonodos) submandibulares e retrofaríngeos apresentam-se aumentados de volume, endurecidos, quentes e doloridos, transformando-se depois em abscessos que supuram e liberam pus amarelo e cremoso. Esse aumento de volume desses gânglios, associado às lesões das mucosas, pode impedir a mastigação, deglutição e respiração, levando o animal à morte por asfixia.

Após a ruptura desses abscessos pode ocorrer aspiração do pus, levando a uma pneumonia purulenta, formação de abscessos no fígado, rins, cérebro e articulações. Pode ocorrer, também, miocardite, anemia crônica e uma síndrome conhecida como Púrpura Hemorrágica com edemas (inchaços) no abdome, membros, cabeça e escroto e erupção da pele. 

Como tratar

O antibiótico de escolha é a penicilina de ação retardada a 22.000 UI/kg, por via intramuscular, 2 vezes ao dia, repetindo-se a dose por 5 dias consecutivos ou até desaparecerem os sinais clínicos. Pode ser usado, também, produto à base de sulfas. Animais com abscedação nos linfonodos necessitam de tratamento local com compressas quentes para incrementar a maturação e a drenagem dos abscessos. Após a drenagem, o tratamento local dos abscessos com solução de iodo é importante para evitar infecções secundárias. 

Como evitar

Uma medida profilática eficiente é o acompanhamento dos animais antes de serem introduzidos em uma propriedade, através da tomada da temperatura 2 vezes por dia e, no caso de suspeita da doença, fazer coleta de materiais (swabs nasais) para exames.

Realizar de imediato o isolamento dos animais doentes, por pelo menos 6 semanas após o início dos sinais, apesar de que o tempo necessário para se obter uma segurança é bem maior (aproximadamente 8 meses), o que é praticamente inviável para o criador. Deve-se também limpar e desinfetar totalmente as baias e os equipamentos utilizados pelo animal para que o contágio seja menor.

Existem vacinas no mercado, porém nenhuma é completamente eficaz, embora reduzam em cerca de 50% a severidade da doença e a morbidade durante os surtos. Muitas vezes não são recomendadas por causarem reações no local da inoculação.


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