Doenças


Raiva

A raiva é uma doença que não tem cura: mata. Acomete todos os mamíferos domésticos e silvestres, inclusive o homem.

A raiva dos herbívoros é responsável por enormes prejuízos econômicos diretos. Na América Latina, o prejuízo é da ordem de 30 milhões de dólares/ano, sendo que no Brasil este valor se aproxima de 15 milhões de dólares, com a morte de cerca de 40.000 cabeças bovinas. Os prejuízos indiretos, no Brasil, estão calculados em 22,5 milhões de dólares.

O principal transmissor da raiva para os herbívoros é o morcego hematófago Desmodus rotundus (vampiro). Todo morcego hematófago se alimenta de sangue, mas somente o morcego infectado com o vírus da raiva é que transmite a doença através de sua eliminação pela saliva quando se alimenta. O vírus invade as células do sistema nervoso através da inervação periférica, caminha até o sistema nervoso central (cérebro) e daí para os órgãos do animal infectado.

Como reconhecer 

Passando o período de incubação, que varia de 30 a 150 dias, em média, podem surgir diferentes sinais de raiva, sendo a paralítica a mais comum. Pode ocorrer também a forma furiosa, quando o animal acometido ataca outros animais ou procura investir contra seres humanos.

Quando se trata de raiva transmitida por morcegos, não foram observadas diferenças acentuadas entre as manifestações clínicas nos bovinos, equinos, asininos, muares e outros animais domésticos de importância econômica como caprinos, ovinos e suínos. O sinal inicial é o isolamento do animal, pois este se afasta do rebanho, apresentando certa apatia e perda do apetite. Pode apresentar-se de cabeça baixa e indiferente ao que se passa ao seu redor. Seguem-se outros sinais como aumento da sensibilidade e prurido (coceira) na região da mordedura, mugido constante, tenesmo (dificuldade para defecar e urinar), excitabilidade, aumento da libido, salivação abundante e viscosa e dificuldade para engolir (o que sugere que o animal esteja engasgado). 

Com a evolução da doença, os animais apresentam movimentos desordenados da cabeça, tremores musculares e ranger de dentes, midríase com ausência de reflexo pupilar, incoordenação motora, andar cambaleante e contrações musculares involuntárias. 

Após entrar em decúbito, o animal não consegue mais se levantar e ocorre o aparecimento de movimentos de pedalar dos membros anteriores e posteriores, dificuldades respiratórias, opistótono (cabeça voltada para trás), asfixia e morte. Esta última ocorre, geralmente, entre 2 a 6 dias após o início dos sinais, podendo prolongar-se em alguns casos, por até 10 dias. 

Uma vez iniciados os sinais clínicos da raiva, nada mais resta a fazer, a não ser isolar o animal e esperar pela sua morte, ou sacrificá-lo na fase agônica. Como os sinais podem ser confundidos com outras doenças do sistema nervoso, é importantíssimo que seja feito o diagnóstico laboratorial. Este é altamente necessário, porém, pelo histórico da existência de morcegos hematófagos na região, a não vacinação e a ocorrência da doença em todas as categorias animais e em espécies diferentes (bovinos, equinos...), podem levar a uma suspeita de raiva.

A manipulação da carcaça de um animal raivoso oferece risco elevado. Deve-se ter extrema cautela ao lidar com animais suspeitos, pois pode haver perigo quando pessoas não preparadas manipulam a cabeça e o cérebro ou introduzem a mão na boca dos animais, na tentativa de desengasgá-los. Caso isso ocorra, deve-se procurar imediatamente um Centro de Saúde para atendimento.

Quando se suspeita de raiva em um animal é indispensável recorrer a um veterinário para a realização de uma necropsia e coleta de material para exames laboratoriais e confirmação da doença. O principal material para envio ao laboratório é o cérebro dos animais suspeitos (fragmentos de: cérebro, cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal) parte refrigerado e parte em formol a 10%. Esse material deve ser enviado em um recipiente bem selado dentro de um isopor hermeticamente fechado e identificado com letras garrafais: “CUIDADO! MATERIAL INFECCIOSO PARA DIAGNÓSTICO. SUSPEITA DE RAIVA”. 

Como tratar

Não existe nenhum tratamento para a raiva.

Como evitar

Para o adequado controle da raiva dos herbívoros, três medidas devem ser sistematicamente adotadas: vacinação dos animais, controle populacional do morcego hematófago e atendimento de foco.

- Vacinação

O animal deve estar saudável no momento da vacinação para que outros processos metabólicos e patogênicos não interfiram na resposta imunológica. Os cuidados de vacinação devem ser adequados quanto à via de aplicação, dose, conservação da vacina, tanto no momento da vacinação como desde a sua produção.

- Controle da população de morcegos Hematófagos.

As condições de meio ambiente existentes no Brasil vêm favorecendo o aumento da população de morcegos hematófagos.

Considerando a circulação do vírus da raiva entre as populações de quirópteros (ciclo aéreo da raiva), e a importância do morcego hematófago na epidemiologia desta doença nos herbívoros, medidas criteriosas e efetivas de controle devem ser seguidas.

Atualmente, as medidas oficiais de controle adotadas baseiam-se no uso da pasta vampiricida (à base de substâncias anticoagulantes), seja nos morcegos hematófagos ou nas mordeduras nos animais agredidos e no uso do mesmo anticoagulante na forma de gel pour-on (ao longo do dorso do animal) em todos os animais do rebanho.

- Atendimento de focos

Quando há comunicação de um caso suspeito de raiva em herbívoros, deve ser feita uma visita à propriedade e entrevistas com as pessoas ali residentes e/ou presentes, para que se conheçam pormenores da ocorrência da raiva. Devem ser feitos também a avaliação da sintomatologia dos animais suspeitos e exames clínicos de todos os animais do rebanho que estejam apresentando sintomas. A colheita de material para exame laboratorial também é indispensável. Somente exame laboratorial pode confirmar ou descartar o diagnóstico clínico.

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